Monday, February 27, 2006

Agorinha, o tempo parou. porque as palavras entalaram num ruído dissilábico : amoramoramoramor ! então eu estendo os pés, entre as coisas que nascem no silêncio do chão, entre as raízes que crescem mudas, como vozes abafadas pelo calor, eu estendo meus pés, cheia, tão cheia ! que poderia morrer de mim mesma. satisfeita : existe ! e eu estou tão cheia. porque parece que há um sentido maior - tão enigmático - que me possui entre os dentes, me carrega feio trapo entre os dentes e me balança com violência. eu caio então dentro das águas frias e congelo, pedra no fundo, a carne se destrincha vermelha e escorre. eu deslizo feito uma perna decepada pela calma das águas, tão maternais, me abrigo entre os vazios que há entre cada átomo tão certo. então é assim : você surge como o inegável e eu desejo até que a última coisa de mim - a minha válvula esquerda, a minha bomba esquerda ! - seque de desespero. o gosto da ausência, como um pedaço da sua unha, dorme na minha língua, eu crio buracos no ar tateando seu espaço. pois que tenho pés e os estendo : as folhas crescem e o verde todo cobre os vãos do azulejo. joaninhas colorem minhas mãos vazias. tudo surge do estéril ? como estalos de poesias agudas .

Mysteries of love
Where war is no more
I'll be there anytime
beth gibbons and rustin' man

2 Comments:

Blogger Bruto said...

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7:57 AM  
Anonymous Anonymous said...

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9:35 AM  

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